17 outubro 2010

O louco

Vive uma sensação de não pertencimento. Sente-se em outro fuso horário, sente-se de outros tempos. Alimenta uma estranha identificação com povos de outros planetas - diz que já entraram em contato com ele. Carrega uma certeza solitária de que a solidão é a única que o completa. Não compartilha do mesmo pensamento da maioria. Não tem ideologia – e quem tem nesses tempos, pergunta-se – não entende nada de filosofia – e quem entende nesses tempos, pergunta-se –. Na maioria das vezes sente-se como um fantasma, esquecido pelos amigos que nunca teve, pela família que o abandonou. Sente-se numa Sibéria onde experimenta o frio da alma, do espírito. Um exilado do mundo que enterrou-se na própria angustia da existência. O chamam de louco.
Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Que texto forte!

    Xeru zuh ;**

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  2. "Sinto uma solidão que no fundo não sinto, que em mim já é como um estado inalterável, por mais que se ocupe, que se tenha no espaço pessoas, que se tenha na alma outras almas, parece que a solidão persegue, onde menos se espera ela habita."

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  3. "se fôssemos normais, seria insuportável viver!"


    bjs meus

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