02 abril 2011

mudando de lugar

Queria te dizer coisas que nem sei bem o que são, ficar filosofando, refletindo sobre a vida, sei que você ta sem paciência, mas pelo menos olhe pra mim, quero te falar do que ando pensando, do que ando vivendo, das coisas que tem me angustiado, tudo bem, eu sei que você está em outra vibe, em outro momento e querendo outras cores, mas olha... sei lá, é tanta coisa que brota aqui dentro que nem sei como colocar pra fora, talvez nem tenha nada pra colocar pra fora, você sabe como sou, fico querendo falar, falar, falar como se fosse um auto-falante ambulante esbravejando pelos cantos vinte e quatro horas por dia. Mas percebe que eu não estou bem... que essa garrafa de vinho seco barato é a única companhia nessas madrugadas solitárias? Hoje você está aqui, eu sei, mas você está com um olhar tão distante, parece está pensando em outro lugar. Porque não me olha nos olhos mais? Fico olhando você tragando esse seu cigarro que odeio e vou seguindo a fumaça até que ela se misture completamente a atmosfera. Você pensa que seu vício pode acabar com nosso planeta? Não, nem eu... não acredito nessa bobagem de aquecimento global e você sabe disso. Encha minha taça mais um pouco, é a única coisa que tem tido um certo gosto saboroso pra mim, meu cérebro agradece e meu fígado reclama. Prefiro ouvir o cérebro, fígado dizem que pode comprar outro, não sei... deve ter que enfrentar toda aquela burocracia chata que odiamos. Mas então, nem lembro mais o que estava falando, porque puxei esse assunto, queria falar sobre a vida, sobre as coisas que acontecem com a gente e a gente nem para pra refletir, essa coisa de deixar a vida nos levar... você quer mais vinho? Poderia prestar pelo menos um pouco de atenção em mim... olha pra mim, pros meus olhos, você ta tão estranha. Quando te conheci as nossas conversas costumavam ser diferentes, você parecia interessada no que eu tinha pra dizer, por mais idiotas que fossem minhas palavras. Você sabe que gosto de filosofar até sobre a existência da barata. Existe uma dor aqui no peito... entende? E a sensação que tenho é que é muita dor pra pouco corpo. Mas o corpo se acostuma né? Ele sempre se acostuma as dores... aí a gente vai criando uma casca babaca, vai se enchendo de armaduras... e a inocência se perde... é isso... acho que é disso que quero falar, da inocência e de como pequenas escolhas, e por mais insignificantes que possam parecer, faz tudo mudar de lugar...
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