14 abril 2011

Seco e árido

Escrevo-te. Talvez não para você propriamente, talvez para mim. Ou talvez para um você que vive dentro de mim, vive vivo, intenso, bicho selvagem solto em solo seco e árido. Sou seco, feito rocha desérticas. Quando chove viro lamaceiro. Talvez escreva por você existir. Aquele você dentro de mim. Há uma coisa de gratidão a sua existência. Existência meio mística, meio aurora boreal. Você bicho solto, selvagem. Eu solo seco e árido. Mas são minhas depressões, minha geografia torta, minha fauna e flora, meu horizonte derretido pelo calor que é também sua sobrevivência. Você vive. Vive vivo sobre mim galopando selvagem na terra rachada. Dói. Mas é na dor que sentimos o vivo. É na dor que sentimos a eternidade. E ao sentir a eternidade nos encontramos também com Deus.
Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Algo como..."a la Clarice..." lindo!!!!

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  2. "A La Clarice"? Por que todo texto pessoal e intenso tem que ter algo de 'Clarice'? >___<
    [li o comentário acima e discordo parcialmente].
    Imaginei um outro [eu] dentro de você. Um "eu" selvagem. Um "eu" que o faz viver e escrever...


    Não sei, talvez seja só minha imaginação

    Seguindo aqui /o/

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  3. Clarice é tudo que vem de intenso e quase real. De dentro, apesar de. É engraçado....mas não é sempre, não mesmo!Mas referências são o berço da arte.

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  4. Olá, Zuza tdbem? ^^

    Obrigada pela passagem meu cantinho;*

    Sempre que possível estarei a ler-te.

    Bjos meus!

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