07 maio 2011

Olhos de cobre

Desbravava o mundo e conhecia as mais belas mulheres, das terras mais distantes. Deitava-se, empanturrando-se de luxúria até o sol dar os primeiros sinais de existência no horizonte tão longínquo que era preciso subir no pico da montanha mais alta para enxergar o brilho despontando tímido, enquanto alguns homens ainda deitados percorriam os cantos assombrosos do mundo com suas almas. Partia sem saber muito bem que direção tomar. Ouvia apenas o coração troncho aventureiro. E em certa indecisão, se pegava o caminho da direita ou da esquerda acabou, por força do destino como gostava de acreditar, pegando o caminho do meio e chegando às terras do minério. Lá encontrou a mais bela das belas, que de imediato correspondeu aos seus galanteios mais cafonas. Deitou-se, mas não como deitava com todas as outras, a bela de olhos cor de cobre que brilhava tanto ao meio dia que só quem estava acostumado ao clarão do sol podia olhá-los com propriedade, o encheu de tantos pensamentos conflitantes que o assustou. E então começou a sentir uma já conhecida inquietação no peito. Partiu enquanto todos ainda perambulavam com suas almas. Continuou sua caminhada ausente de destino. Mas algo de diferente brotava em seu íntimo desgarrado. Cansou-se, dos rostos, dos corpos, das camas e dos espíritos que não acalentavam. E uma bigorna de solidão repousou sobre o seu peito minguando todas as suas forças. E passou as noites a conversar sozinho com aquele ele que não tinha conseguido ser...
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. que texto lindo zuza!lindo mesmo.....fiquei suspensa

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  2. Olá Zuza...
    Seu texto é cheio de sentimentos...
    Uma meia liberdade, uma meia entrega...
    Um inteiro medo. Gostei.
    Beijos

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