19 maio 2011

pra sempre

... Os pés tocam o úmido. Ando. Tento entender a unicidade de cada ser-humano. Sozinho, solto no espaço, pendurado apenas por um fio que é a minha história. Um coração solitário com medo de gente, dessa gente toda, dessa gente que não é gente. Mochila nas costas, trocados no bolso e o coração pulsando meio vadio. E aquele vazio típico da missão de se caminhar sozinho eu curo com leite quente antes de dormir. Estive dormindo em outros quartos das últimas vezes. Poesias de todos os tipos foram rabiscadas em todas as paredes enquanto no fundo, uma rádio tocava músicas de amor. Só músicas de amor. E os olhos úmidos levaram a secura para bem longe, muito longe. Durante os últimos tempos meus pés tocaram o seco. Vida nenhuma surgia naquela secura toda de rachar alma. A alma se contorcia numa cólica colossal e não havia posição para aliviar a dor. E não havia uma mão quente para segurar. A quentura nos leva ao aconchego do útero, e é ali que começa a história de todos nós... E lá pra bem cedo, bem antes do escurecer, a lua surgiu nova. Tatuei tudo no meu peito e fui, em busca do pra sempre...
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Tatuar tanta intensidade deve ter doido,,,
    E se eu lhe disser que o pra sempre, sempre acaba?
    Quebrarei suas esperanças?

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  2. nossa zuza, esse texto é de chorar.....lindíssimo!

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