09 junho 2011

Feito vento

Foi bom, feito o doce de ambrosia que minha avó preparava quando eu era criança. O melhor doce de ambrosia que já provei. Talvez fosse o carinho que ela depositava naquela receita. E quero te contar, memorizei feito filme cada segundo desses dias para não cair naquele erro de deixar a maldita sensação de não vivência me encher de dúvidas, como se tudo tivesse sido um sonho saído dos quadros do Dali. Quadro a quadro fotografei nossos passos, nossas expressões e sua delicadeza eufórica saboreando diversos makimonos. E hoje ao acordar e te olhar dormindo me senti aliviado por lembrar de cada detalhe de forma tão real, palpável e verdadeira. Mas olha, hoje, e talvez só por hoje, não quero ficar tentando nomear e definir muito o que vivemos e sentimos, as coisas simplesmente são e por agora isso basta. Simplesmente sinto, olho seus olhos e penso nas plantas que sabem da existência do vento, porque ele as tocam e as fazem balançar. Sabemos da existência do que sentimos porque estamos aqui, nos olhando, acalorando as mãos um do outro... E só por hoje quero não nomear, gostaria apenas de tocá-la e ser tocado, feito vento raspando folhagem. Simples. E que isso revele muito mais do que todas as nomenclaturas que gostamos de inventar...
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Que maravilha de texto, Zuza!

    O importante não é definir os sentimentos e sim sentí-los, feito vento raspando a folhagem.

    Sensacional!!!

    Beijos

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  2. Sentir a existência de algo,sem nome, sem nome algum!é isso!lindo seu texto zuza,mais uma vez....lindo!

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  3. Bom dia Zuza

    Percebo em seu texto o real sentido de está vivo.
    Como as plantas que sabem da existência do vento.
    Belo e poetico...
    Sou canceriana sim, mas com toque de escorpião e sargitário que me tornam menos caseira e maternal.
    Beijos

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  4. Deleuze dizia que a identidade bloqueia o "devir". Devir é o "vir-a-ser", a energia em fluxo.

    Mas... foda-se o Deleuze. E a identidade dele. rsrsrsrs

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