07 agosto 2011

Uma certa beleza

Há uma certa beleza ainda não experimentada. Algo que não pudemos perceber ou tocar. Uma certa magia em tudo quanto é canto que ainda não captamos. Há o que está revelado e todo o resto. E é esse resto que me interessa por agora. Você é pergaminho e vou tentando decifrá-la minuto a minuto. Quero que olhe fundo nos meus olhos, mas tão fundo que possa perceber o contorno de minha alma. E quero que olhe por muito tempo, para perceber a cor também. E quero que permita-me olhar fundo nos seus olhos e por tempo suficiente. E quando se sentir despida não me mande parar, nem desvie os olhos e nem faça caretas. Apenas me olhe também e tente, junto comigo, capitar essa certa beleza que ainda não experimentamos.
E há o toque, o toque que também não foi experimentado. E há o outro toque. Um toque aveludado e tão cheio de afago. E há mais um tanto de coisas para serem descobertas, um tanto de dias para serem eleitos melhores dias. Um tanto de sabores, cheiros, sensações que ainda não apresentamos um ao outro. E há uma vida toda pela frente e um tanto mais de beleza. E há a beleza essencial, necessária que é a beleza do agora. A beleza espontânea daquele grafiteiro que improvisava os traços e mudava as cores e voltava atrás e seguia em frente. E voltava atrás e seguia em frente. A beleza das possibilidades de não se prender a nenhum esboço ou ideia pré – definida. E ainda como o grafiteiro, testar sem medo de errar, sem medo de cair em contradição, sem medo de mudar o discurso, sem medo de usar novamente aquela tinta que certa vez disse que nunca mais usaria, ou aquele cor que achava que não lhe servia mais, e assim experimentar o que não experimentamos até agora...
Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Me lembrei desse poema da Ana Carolina...

    Te olho nos olhos e você reclama
    Que te olho muito profundamente.

    Desculpa,
    Tudo que vivi foi profundamente...
    Eu te ensinei quem sou...
    E você foi me tirando...
    Os espaços entre os abraços,
    Guarda-me apenas uma fresta.

    Eu que sempre fui livre,
    Não importava o que os outros dissessem.

    Até onde posso ir para te resgatar?

    Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
    De me inventar de novo.

    Desculpa...se te olho profundamente,
    Rente à pele...
    A ponto de ver seus ancestrais...
    Nos seus traços.

    A ponto de ver a estrada...
    Muito antes dos seus passos.

    Eu não vou separar as minhas vitórias
    Dos meus fracassos!

    Eu não vou renunciar a mim;

    Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
    Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

    Eu quero estar viva e permanecer
    Te olhando profundamente."

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  2. Muito, mas muito gostoso de ler!

    Deu vontade inté de ler novamente.

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