08 setembro 2011

Pacientemente


Depois de um dia de trabalho, morta de cansada, chega em casa e fecha todas as portas e janelas. Coloca um disco da Marisa Monte, acende um cigarro e abre uma garrafa de vinho. Tenta aquecer a alma. Já pensou em beber perfume para perfumá-la também. Esgotada chora e recapitula sua vida e os caminhos, quase sempre tumultuados, que escolhera. Cuida de uma planta, um alecrim e sente todas as dores do mundo. Já tentou não sentí-las e ficou tão anestesiada devido aos excessos que teve que engolir que preferiria morrer a experimentar aquela negritude novamente. Chegara a conclusão que não sentir é muito pior do que sentir e que até a dor preenche o vazio. E o mundo moderno, as decepções diárias, as relações cada vez mais líquidas a fazem pensar constantemente em jogar tudo para o alto e desistir. Mas então vem uma fé em Deus e naquilo que ela acredita ser místico e busca respostas nos oráculos: Búzios, Tarot de Marseille, leitura de mãos, trânsito astrológico... E todos, sem exceção, pedem a ela paciência e mais nada. Enxuga as lágrimas e continua o roteiro diário, pacientemente sentindo todas as dores do mundo, pacientemente esperando respostas, pacientemente depositando toda esperança de uma vida melhor em um amor que ainda não bateu à sua porta...

www.zuzazapata.com.br
Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. ahhhhhh q lindo.....parece eu!amei!

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  2. Por pior que seja, antes a dor do que a ausência de tudo, que isso é quase morte.

    Um beijo.

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  3. O universo tranquilo de uma pessoa tranquila no século 21... Bom texto, rapaz! =)

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  4. nossa...esse texto É a minha cara, que coisa, suspirei com cada pensamento dela...
    um beijo

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  5. Pacientemente encontramos as respostas. Tudo tem o tempo, e depois do cansaço vem a calma. Acredito que sim.

    Zuza, meu querido. Suas palavras tão lindas. Que texto maravilhoso!

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  6. Palavras lindas, revelam o interior de muita gente... Quantas não são as almas que desejam por um pouco de afeto?

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  7. Vc transcreve sentimentos de forma cartesiana e poética ao mesmo tempo. Isso é um dom!

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