21 outubro 2011

Canção de ninar


Deixe-me com a minha pornografia, minha arte estranha, meu paraíso pintado de laranja. Deixe-me com minha fé no amor. Guarde esse café enquanto trancafio-me em casa por semanas, tenho recusado a cachaça barata e o sexo apenas pelo sexo. O que busco é o pornô com romance - ou comédia romântica -, e a esperança de envelhecer junto. Ela, eu e um cão de guarda. Lenha jogada na brasa sim, afinal, fogo é elementar meus caros, mas nenhum incêndio salvará suas vidas. Eu busco de novo aquela menina. E que sigamos de mãos dadas até o próximo fim do mundo, juro que não te largo. Se quiser, confie no horoscopo, nos astros, no seu extrato bancário ou na minha poesia de semana passada. Jogue búzios para confirmar aquilo que há anos te digo. Mas por favor, não chegue atrasada. Há uma luz brotando em alguma escuridão e talvez eu pegue carona e aí então, outro desencontro! Mas olha, vamos marcar nesse ponto. Aqui, início de todos os nossos planos. Continuo sonhando aqueles mesmos sonhos. Talvez eu cante na rádio, talvez a gente se case, talvez não. Mas o amor, essa coisa que brotou de repente e foi regada por tantos anos, nesse eu ponho todas as certezas possíveis. O caminho é longo, a estrada escura, a doçura tem que ser muita e o carinho impublicável. E no amargo a gente taca açúcar até virar melado. E então a gente brinca, se lambuza todo, engole pouco pra não enjoar muito e inventa novas canções de ninar...


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